segunda-feira, 4 de maio de 2015

Romântica

Dos meus vários eus
Um há de sobressair:
Ainda que tente me enganar,
há uma romântica
morando dentro de mim.

Sou boa atriz,
Papel de indiferente me cai bem.
Mas em horas tardes na noite,
da solidão e dos filmes de amor,
eu entendo bem.

De tantas Beatriz,
aquela feita de amor
é sempre a melhor.
Na alegria e na dor,
na fervura e no torpor,
aquela feita de amor,
chora sempre no final...

E quem nunca foi um sonhador?
Quem nunca acreditou?
Quem nunca quis mais que um carnaval?

Reticências

Vivo de reticências...
Não gosto muito de vírgulas,
não sei usar dois pontos
e nunca fui boa com pontos finais.

Sempre fui fã de exclamações
e me auto saboto incontáveis vezes
com interrogações.

Assim, desde que eu sou eu,
sempre fui de reticências...
essa ideia de inacabado,
desconhecido,
um tanto reflexivo,
sempre para frente,
nunca parecendo olhar para trás.

Despedida

Me amam e desamam,
as tristezas do mundo,
hora me envolvem,
hora me esquecem,
hora me devoram,
hora me enriquecem...
Me desejam e vão embora,
os amores desse mundo.
Tantos os que me detém em manto negro e perturbador...
Outros que me mantém em devaneios de passados sombrios,
cheios de horror.
Nenhum me vê em vitória. Nenhum me canta glória. Nenhum me cativa.
Dos amores, sobram as tristezas e dela a fadiga.
Assim vão-se os dias na peleja da vida.
Assim, vou morrendo e renascendo em cada despedida.

Lua

Por cima do muro de incertezas,
lá brilha ela, incandescente e sozinha,
pairando sob a vida dos outros,
iluminando a decadência da minha.

Pálida e fria,
vaga na companhia das estrelas,
olhando para minha alma vazia.
Quem sabe se toda aquela luz me penetrar,
posso me preencher de espaço sideral.
Ou talvez consiga sentir algo,
além da solidão habitual.

Entre a verdade e a mentira,
a razão e a loucura,
entre meus sonhos e pesadelos,
em cima do muro de perguntas sem respostas,
lá brilha ela, redonda e amarela,
me fitando horas a fio,
na penumbra do vazio,
nas sombras do silêncio.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Dizem que quem escreve só produz algo decente quando está triste. 
Talvez seja pela beleza da tristeza ou pela força do hábito, mas hei de concordar. 
Somos puxados pelo instinto mais forte do ser humano: a sobrevivência. E enfrentamos a tristeza ou nos abraçamos a ela e damos um jeito de sobreviver. Muitas vezes, escrevendo. 


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Nós.

Somos tudo o que resta.
Em nós mesmos, uma insígnia,
uma lembrança, um amuleto.
A forte e indevida certeza,
desenhada pela mãe natureza,
para ser nada além de imperfeito.

Somos tudo o que falta,
tudo o que abafa, desintegra,
renega, desidrata (a alma).
Somos cegos, esperançosos,
presos em destinos,
negando os instintos,
sem rumo pela vida.

Somos, para sempre,
uma eterna despedida.
E por sermos finitos,
somos ainda mais bonitos,
brilhando no espaço,
de outras vidas, aqui e além.
No infinito e além.

Volta

Aos pedaços,
as voltas deixam fechar
certas portas e abrigos.
Seguem guardando
um pedaço de um antigo
mundo consigo.

Aos poucos, tais voltas
são menos felizes.
Deixam de curar certas feridas,
colecionando novas cicatrizes
que levo comigo.

Outras Noites

Outras noites se foram,
em sorrisos e silêncio.
Olhos molhados de amor e força,
em outras noites
perderam-se no tempo.

"Já fomos melhores"...
Pensei em dizer.
E regidos por medos,
passamos a nos perder.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Os Dias Tristes

O mundo e as pessoas exigem muito da gente.
Muitas vezes, acabamos nos exigindo também, mas a verdade é que tudo mais parece um grande reflexo do que os outros querem para nossas vidas e não o que realmente queremos.
Estamos sempre preocupados em agradar todo mundo. A sociedade, nossos pais, o chefe, os filhos, os amigos, o cachorro... Será que estamos sendo felizes de verdade ou só vivendo dias tristes?
Dias em que pensamos como seria se tivéssemos feito outra faculdade, escolhido outro emprego, comprado aquela casa que parecia melhor, trocado o carro por um mais econômico, pintado o cabelo de azul na escola, se tivéssemos estudado mais, se tivéssemos plantado alguma coisa ou lido todos os clássicos, ou viajado para o Japão... Dias tristes são aqueles em que pensamos no SE. Se a gente tivesse feito outras escolhas que não as que pareciam mais fáceis ou as que os outros fizeram pela gente.
Eu gostaria de ter feito História ou Filosofia, por exemplo. Não me arrisquei porque não tive incentivo e a pressão para ser médico ou advogado quando se tem dezessete anos é bem intensa.
Se engana quem pensa que vai viver para sempre.
O bom da vida está nos detalhes e eles fazem parte das nossas realizações pessoais. Fazer pelo menos uma das coisas que se sonha já é um grande passo hoje em dia. Deveríamos realizar mais sonhos ao passo que os construímos em nossas mentes. Deveríamos correr atrás daquilo que nos faz feliz. A vida já tem tristeza e complicações demais. Precisamos de algo mais leve, mais verdadeiro, mais a nossa cara.
Por isso, um conselho: arrisque! Ou então passe a vida tentando conviver com aquele grande SE rodando os seus dias, quando você encosta a cabeça no travesseiro e pensa em como a vida poderia ter sido bem melhor.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Na Fila do Pão

Acho que todo mundo conhece aquele ditado que diz mais ou menos assim: você pode encontrar o amor da sua vida até na fila do pão. Bom, pode ser na fila do pão, do cinema, numa batida de carro, no coral da escola da sua irmã menor, no avião, enfim. As possibilidades são infinitas. O que importa mesmo é que você esteja aberta àquilo e bem vestida, de preferência. Um blushzinho também não mata ninguém.

Pensei nisso hoje porque algo engraçado aconteceu. Não, eu não encontrei o amor da minha vida nessa situação, porque já o encontrei no natal do ano passado (Veja bem, até em festa de natal -não curto- na casa de amigos você encontra). Mas encontrei auto estima e um sorriso no caminho do carro. (Que o amor da minha vida que encontrei no natal não leia isso, ele vai surtar).

Estava na padaria, esperando meus seis carioquinhas serem embalados. Ao meu lado, um rapaz robusto (gordinho mesmo), de all star, camiseta de caveira, cabelo loiro pro lado e uma cara de "sou inteligente, super simpático, meio nerd, um tanto mongol, mas sou legal". Percebi que ele estava olhando pra mim e do nada ele fala: tá quente hoje né? Sério? Tá quente? SÉRIO? Ok. Respondi: nossa cidade é sempre quente. Ultimamente só tem piorado. Ele sorri. Nice smile by the way. Ai ele solta: você trabalha aqui perto? E eu digo: Não. Moro por perto. E você? Ai ele se vira de frente pra mim e diz: estudo nesse cursinho aqui da frente. Você vem sempre aqui nesse horário? Se sim, podíamos tomar um café qualquer dia desses.
Então uma palavra veio na minha cabeça: Não! BRINKS! Essa também, mas a que veio de verdade foi: Autoconfiança. O guri tem sei lá, 21 anos? Eu tenho 26. Tenho cara de mais velha e ok, não sou linda, mas sou arrumadinha. Pode rir.
Respondi com um sorriso e em seguida: nunca estou por aqui nesse horário. Hoje foi uma exceção. Mas obrigada. Boa semana.

Peguei meu pão quentinho, paguei minha conta e sai para o estacionamento. Pensei que, para muitas pessoas, inclusive eu, um dia ruim poderia ter uma nova cara, por conta de algo simples e corriqueiro. Não considerei tomar o café, não me senti atraída por ele, nem nada. Mas gostei da idéia de um garoto qualquer se interessar por uma garota qualquer na fila do pão. Lugar onde você pode sim encontrar o amor da sua vida, ou simplesmente, amor.